Ela se engasgava com as próprias palavras. Escondida atrás de seu cabelo cheio, abaixou a cabeça, tentando conter as lágrimas e o ar prendendo em sua garganta. Ela tossia para respirar, sua alma, já sem forças, lutava para continuar em pé. “Fadiga ou amor?” Era o que ela se perguntava todas as manhãs. Todas as manhãs, que pareciam infinitas para ela. Sozinha, ela respirava fundo, arfando. Era como se houvesse algo preso, e ela sentia o gosto de indiretas, além de claro, seus sentimentos sem rumo. Seus olhos ardiam, talvez de tanto segurar suas lágrimas, elas precisasse de um tempo sozinha, em que refletisse, e desistisse de sofrer sempre pelo mesmo motivo. O frio tomava conta, atravessando o fino algodão de sua blusa, a deixando indefesa sob o toque de qualquer elemento em si. Ela se encostou na parede, escorregando, se entregando finalmente a dor. Já encharcada de lágrimas sentimentais e com sua cabeça pedindo por um tempo, seus olhos inchados, suas mãos trêmulas sobre seus joelhos lanhados. Ela havia se entregado a dor, temporariamente. Mesmo sabendo que logo após disso, teria de voltar para a luta. Sinceramente? Ela não aguentava mais fingir ser forte, e estava pensando em desistir de tudo. Seu único ponto forte havia sido derrubado. Talvez só seriam ilusões de sua mente, ou talvez sentimentos entalados em suas cordas vocais ou em seu átrio esquerdo. Por mais que quisesse ficar sentada naquela sala quieta, sentindo a água de seu corpo retendo-se em lágrimas, ela continuou em frente. Não seguiu seu caminho para agradar outras pessoas, e sim porque era o único destino para seguir. (pequenapsicotica)
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